Wesley Safadão volta a adiar show após sentir dores na coluna: ‘estou sem acreditar’

20 set 2022 - Variedades

O cantor Wesley Safadão informou por meio das redes sociais que precisou remarcar um show porque voltou a sentir dores na coluna. A apresentação aconteceria nesta segunda-feira (19), no Rio Grande do Sul. O artista sofre com hérnia de disco, e já precisou alterar a data de eventos entre junho e julho de 2022. Safadão, inclusive, precisou de internação e cirurgia para tratar o problema.

“Vocês acreditam que eu acordei com a coluna travada de novo? Estou indo ao médico para fazer uma manipulação aqui. Não estou nem acreditando em uma coisa dessa”, lamentou o cantor em vídeo nas redes sociais.

O show está marcado para a cidade de Bom Princípio, no Rio Grande do Sul, e foi transferido para o próximo sábado (24). O artista garantiu que os ingressos comprados vão valer na próxima data

“Meu Deus, estava me sentindo tão bem, gente. Pulei tanto num show esses dias. Travou. Estou sem acreditar.”, comentou Safadão.

O cantor ficou internado em São Paulo (SP) após realizar cirurgia como parte do tratamento da hérnia de disco. O procedimento ocorreu após o artista quase sofrer com síndrome da cauda equina, uma consequência rara do problema nos discos.

Conforme o médico ortopedista Plínio Linhares, especialista em coluna pelo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, a síndrome da cauda equina é consequência de um problema que atinge um grupo de nervos localizado dentro do canal espinhal. O grupo recebe esse nome pela semelhança à cauda de um cavalo.

A cauda equina é composta, apontou o especialista, pelos nervos lombares e sacrais. “A síndrome ocorre quando esse grupo de nervos é comprimido”, explicou Linhares, acrescentando que a causa mais comum dessa ocorrência é a hérnia de disco. No entanto, o problema pode ocorrer, também, por tumores, infecções, traumas e fraturas na coluna.

mbora o cantor tenha sido diagnosticado com hérnia de disco, Plínio Linhares indicou que o aparecimento da síndrome é raro mesmo com essa condição. “Os estudos falam que a hérnia pode gerar a síndrome entre apenas 1 a 2% dos casos. Geralmente, quando ocorre secundário a uma hérnia, ocorre quando o paciente apresentava uma hérnia de disco muito volumosa.”

O ortopedista lembrou que o diagnóstico citado pelo forrozeiro era compatível com os sintomas da síndrome da cauda equina. “O médico [de Wesley Safadão] disse que ele não estava com a síndrome franca, mas estava em processo de evolução. Não foi pragmático nem incisivo, mas disse que estava evoluindo para tal”, afirmou.

Sintomas

Segundo Plínio Linhares, a suspeita da síndrome se dá a partir da ocorrência de uma “tríade clássica de sintomas”. São eles:

Anestesia em sela;
Disfunção esfincteriana;
Perda de força nas pernas.

A anestesia em sela é caracterizada por perda de sensibilidade e sensação de formigamento na face interna das coxas e na região genital, o que foi inclusive comentado pelo cantor. Já a disfunção esfincteriana indica uma dificuldade de controle de urina e fezes, também chamada de incontinência.

“Esses sintomas realmente vão vir justamente pela compressão dos nervos lombares e sacrais, que dão a função neurológica dos membros inferiores”, explicou o profissional, acrescentando que o paciente também pode ter perda de mobilidade e disfunção sexual secundária à compressão dos nervos.

“Todos esses sintomas podem gerar um dano neurológico irreversível, pois ele pode ficar com sequelas do nervo que foi comprometido”.

Se o paciente apresenta a compressão dos nervos por um longo período, pode, eventualmente, necessitar do uso de bolsa de colostomia para função intestinal e de sonda vesical para função urinária.

No caso de a utilização desses mecanismos ser necessária, a pessoa acometida não tem um prazo certo a seguir: o uso pode demorar semanas ou até meses. “Se vier a apresentar um dano irreversível, pode usar esses acessórios, por isso a síndrome é considerada uma urgência”.

Necessidade de cirurgia

Dado o caráter de urgência da síndrome da cauda equina, o paciente tem de ser submetido a uma cirurgia no prazo de 24 a 48 horas, afirmou o médico, lembrando que o artista já fizera um procedimento de infiltração na coluna lombar, de caráter analgésico.

“Na infiltração, a gente prepara uma solução de medicamentos e, com o auxílio de uma agulha específica, administra essa solução em cima do nervo que está sendo comprimido. É um procedimento para controlar a dor, puramente analgésico. A gente não tira a hérnia”, disse.

Ainda de acordo com Plínio Linhares, cerca de 90% a 95% das hérnias de disco são tratadas sem cirurgia. Dos 5% que necessitam de tratamento cirúrgico, o cantor entrou na parcela de 1% dos casos que evoluem para a síndrome.

“Foi instituído, inicialmente, o tratamento conservador no Wesley, porém, devido à grave compressão dos nervos, o seu quadro se agravou e ele apresentou sintomas de Síndrome da Cauda Equina, o que indicou a abordagem cirúrgica em caráter de urgência”.

A operação realizada pelo forrozeiro na quinta-feira pode ser feita por meio de diversas técnicas, apontou o médico. A mais comum é fazer a retirada apenas do fragmento extruso, a parte do disco que sai do seu local habitual e entra no canal vertebral, apertando os nervos. Esse procedimento é chamado de microdiscectomia.

Apesar de não ter como precisar se o cantor passou por essa cirurgia, Plínio Linhares informou que a intervenção pode ser realizada com o auxílio de um endoscópio ou de um microscópio. Em razão disso, o tempo de recuperação é variável: o paciente pode demorar entre dez e 15 dias no primeiro caso ou cerca de um mês no segundo. Independentemente da técnica usada, o tratamento deve contar com reabilitação.

“Toda cirurgia de hérnia precisa de uma reabilitação pós-operatória pro paciente voltar à suas atividades habituais e também pra gerar um fortalecimento da musculatura da região da coluna”, explicou.
Wesley Safadão, após a alta, deve ficar afastado das atividades laborais para o que Plínio Linhares definiu como um “repouso relativo”. “Não deve ser absoluto, ficar na cama o dia inteiro; deve diminuir os esforços laborais”, pontuou, indicando que essas ações dependem de como o paciente trabalha.

Além disso, o cantor precisou fazer fisioterapia motora, para gerar uma melhor recuperação das pernas, assim como a fisioterapia pélvica, para ajudar a melhorar a reabilitação dessa região genital. Conforme o ortopedista, esses procedimentos devem ocorrer, geralmente, uma vez ao dia, mas podem ser otimizados para duas ou três vezes a depender do paciente.